Há na Câmara Municipal de Campinas uma galeria com os retratos de todas as vereadoras que já passaram pela casa. Essa galeria tem múltiplos significados. Um deles, positivo, é o que o discurso oficial prioriza: um reconhecimento às vereadoras que, apesar das dificuldades impostas pela desigualdade de gênero, se elegeram e exerceram seus mandatos nesse ambiente eminentemente masculino. Porém, a existência dessa galeria é também um documento da enorme distorção na representação feminina na Câmara Municipal. Na atual legislatura sou a única mulher entre os 33 vereadores eleitos. Em 222 anos de história da Casa apenas 15 mulheres passaram por esse parlamento. Em Campinas as mulheres compõem mais da metade da população.
No dia 6/11, quarta feira, será inaugurado o meu retrato, que passará a compor a exposição permanente. Vejo os problemas e questões implícitas nessa solenidade, contudo, me trouxe alegria o reconhecimento de nossa construção. Precisamos nos orgulhar do espaço que já conquistamos, escrevo no plural não por acaso, mas sim porque nosso mandato legislativo é uma construção coletiva, resultado de muitas mãos, sonhos e lutas. Chegamos até aqui e seguiremos em frente, no combate às desigualdade de gênero, raciais e econômicas, em defesa dos serviços públicos, direitos sociais e por uma cidade mais justa. Agradeço a todas e todos que estão juntos nessa caminhada, e os convido para a solenidade que ocorrerá no início da 68º Sessão Ordinária da Câmara Municipal, no dia 06/11, quarta feira, à partir das 18hs.