No ano de 2017, já no segundo governo de Jonas Donizette a frente da prefeitura, comemorou-se o fato do Ensino de Jovens e Adultos atingir a marca recorde e ampliar em 10 vezes o número de matrículas. No ano de 2019 foi lançada em fevereiro, a campanha Fevereiro Violeta, que visava a erradicação do analfabetismo em Campinas.

Pouco tempo depois, em setembro deste ano, a Secretaria de Educação de Campinas anunciou, a partir de notificação às instituições de ensino, que vai reduzir cerca de 40% das salas do curso de EJA (Educação de Jovens e Adultos) de escolas da cidade. Essa medida vai impactar diretamente os resultados de acesso à educação do município. De acordo com a Secretaria, no próximo ano permanecerão abertas apenas 14 salas de aula das 24 que operam atualmente.

Os profissionais que atuam no EJA, como professores e equipes escolares, não foram chamados para discutir o fechamento de turmas. Tampouco foram incluídos no debate os alunos, esses que a partir de suas especificidades e trajetórias de vida acabaram ficando fora dos sistema de ensino ao longo de suas vidas e buscam hoje a partir do EJA uma possibilidade de acesso a educação pública.

Portanto, fica claro que a preocupação da prefeitura em fazer a manutenção desses números e erradicar o analfabetismo na cidade se configuram apenas como jargões de campanhas que não se concretizam.

O argumento da gestão municipal para fechar turmas é a diminuição da demanda e o alto índice de evasão dos alunos. Contudo, os profissionais que atuam no EJA refutam esses argumentos, justificando que eles não contemplam a realidade do Ensino de Jovens e Adultos em Campinas. A demanda continua alta, mas poderia ser ainda maior se a Prefeitura promovesse mais campanhas de matrícula, orientando os munícipes sobre a disponibilidade de vagas no EJA.

Quanto a evasão, ela está ligada a problemas estruturais da cidade, como o acesso restrito da população ao transporte público, problemas de falta de segurança, já que a maioria das escolas atende esse público no período noturno e a dificuldade de mães e pais encontrarem creche para os filhos.

Entre as escolas que serão afetadas, estão Escola Municipal Dulce Bento, no bairro do Guará, em Barão Geraldo; Escola Municipal Pierre Bonhomme, na Vila Industrial; na Escola Municipal Corrêa de Mello, no Parque Dom Pedro II, na região do Ouro Verde e na Emef Profª Geny Rodriguez, no São Bernardo. Na Escola Municipal Corrêa de Mello serão fechadas as cinco salas existentes. Na Geny Rodriguez há cinco atualmente e uma será fechada. Na Escola Municipal Pierre Bonhomme, que é o único Centro Municipal Ensino Supletivo Modular da região metropolitana de Campinas, serão fechadas duas turmas.

Segundo a Prefeitura, os alunos matriculados continuarão sendo atendidos, sem prejuízo aos conteúdos pedagógicos, em salas multisseriadas (onde são trabalhadas na mesma sala de aula mais de uma série do Ensino Fundamental). Essa medida, segundo os profissionais , prejudica também o projeto pedagógico das escolas, o que influencia negativamente a qualidade do ensino que os alunos do EJA terão acesso.

Após reuniões realizadas com a Secretaria de Educação, na Comissão de Educação e Esporte da Câmara Municipal de Campinas, além das administrações regionais (NAED) foram frustradas todas as tentativas de negociação pela manutenção das vagas, já que a Prefeitura se recusa a dar legitimidade ao que a comunidade escolar está reivindicando.

Neste 1° de novembro, professores, estudantes, funcionários das escolas afetadas, junto a sociedade civil campineira estiveram no Paço Municipal pressionando pelo NÃO FECHAMENTO DAS TURMAS. Caso se concretize significará grande retrocesso no acesso à educação em Campinas. Seguiremos apoiando a luta contra o fechamento de turmas da EJA.