A Reforma da Previdência do Governo Bolsonaro representa o maior ataque aos direitos já conquistados no último período. Além de aumentar a idade mínima de aposentadoria (65 anos para ter direito a aposentadoria integral) e o tempo de contribuição (serão necessários 40 anos de contribuição), estabelece que o BPC (Benefício de Prestação Continuada), benefício direcionado a idosos em situação de extrema pobreza e pessoas com deficiência caia do valor de um salario mínimo para 400 reais mensais, inviabilizando a vida digna para esta parcela da população.
Dentre outros inúmeros absurdos, esta Reforma prevê a criação de um Sistema de Capitalização, que na prática significa o fim da previdência como um direito. Neste sistema cada trabalhador ao longo de sua vida deposita contribuições em uma conta individual, tratando a aposentadoria como um investimento individual e não um direito social, assim acaba com a solidariedade entre as gerações que fundamenta o sistema de repartição que sustenta a Previdência hoje.
Os prejuízos desta reforma não serão sentidos apenas pelas futuras gerações, o período de transição para as pessoas que estão na ativa hoje será de apenas 12 anos, em alguns casos aumentará, e muito, os anos de trabalho de pessoas que estão próximas da aposentadoria, sobretudo se falarmos de categorias com direito a aposentadoria especial.
Aliada às já aprovadas Reforma Trabalhista e Emenda Constitucinal 95 que congelou os investimentos públicos nas áreas sociais, a Reforma da Previdência vem para atacar o principal mecanismo de Distribuição de Renda, inviabilizando não apenas o direito a aposentadoria, mas também o financiamento da Saúde Pública e da Assistência Social.