Mariana Conti requer que todos os vídeos relacionados a Vini Oliveira e empresa do transporte sejam disponibilizados à Câmara
Nesta terça-feira (09), a vereadora Mariana Conti (PSOL) apresentou uma petição ao vereador Paulo Haddad (PSD), presidente da Comissão Processante (CP) que deve apurar indícios de irregularidades envolvendo o vereador Vini Oliveira (Cidadania) e a empresa de transporte Smile. Mariana solicita que todos os materiais recolhidos pelo Gaeco, incluindo as imagens das câmeras de segurança […]
10 jun 2026, 13:31 Tempo de leitura: 3 minutos, 32 segundos
Nesta terça-feira (09), a vereadora Mariana Conti (PSOL) apresentou uma petição ao vereador Paulo Haddad (PSD), presidente da Comissão Processante (CP) que deve apurar indícios de irregularidades envolvendo o vereador Vini Oliveira (Cidadania) e a empresa de transporte Smile. Mariana solicita que todos os materiais recolhidos pelo Gaeco, incluindo as imagens das câmeras de segurança da empresa, sejam integralmente disponibilizados à CP.
O caso teve início no último dia 27, quando o canal TH Mais, da TV Record, transmitiu uma reportagem em que o vereador Vini Oliveira aparecia em reunião com empresários da Smile, uma das empresas que venceu o leilão da última licitação do transporte municipal. No vídeo, é possível ver que o parlamentar deixa o local portando uma caixa preta, preparada durante a reunião e que recebe dois envelopes cujo conteúdo ainda é desconhecido.
Logo em seguida, a Câmara recebeu dois pedidos de abertura de Comissão Processante para apurar o ocorrido, sendo o primeiro deles o protocolado pela vereadora Mariana Conti. Na sessão seguinte, realizada no dia 1º de junho, o pedido foi votado e aprovado por unanimidade entre todos os vereadores presentes. O vereador alvo da denúncia não compareceu à sessão, alegando motivos de saúde.
“Trata-se de uma reunião a portas fechadas, com uma empresa que estava passando pelo processo de licitação. A fase competitiva da licitação já estava encerrada, mas ainda era necessário aguardar a homologação. No momento em que o transporte público está um caos na cidade, com um processo de licitação extremamente conturbado, essa reunião com uma empresa que está disputando o processo licitatório, por si só, já seria objeto de questionamento”, descreveu Mariana ao defender a abertura da CP.
Dada a aprovação do pedido, os vereadores Paulo Haddad, Otto Alejandro (PL) e Dr. Yanko (PP) foram sorteados para a composição da Comissão, e Haddad foi eleito o presidente. Sendo assim, a vereadora requereu publicamente que, como parte denunciante e, portanto, diretamente interessada, seja notificada e possa participar de todo o processo de oitivas, a fim de garantir o acompanhamento dos procedimentos de apuração.
Na mesma semana, na manhã do dia 03, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro (Neccold) deflagraram uma operação que cumpriu 11 mandados de busca e apreensão em Campinas e Paulínia, ligados a Vini e à empresa, incluindo a Câmara Municipal, para apurar suspeitas de recebimento de vantagens indevidas. Na noite da mesma data, o canal TH Mais exibiu novos vídeos que indicam que o vereador esteve na empresa Smile em mais de uma oportunidade.
Em mais um desdobramento dos escândalos envolvendo o transporte, na última segunda-feira (08), o diretor financeiro e administrativo da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), Ricardo Ferraro Geciauskas foi exonerado após a divulgação de imagens que o mostram na mesma empresa em que Vini foi flagrado.
“O que está sendo desenhado é que há muitos materiais ainda não divulgados e que são centrais para a apuração interna da Câmara. Por isso, o presidente da CP deve solicitar imediatamente todos os vídeos de câmeras de segurança da empresa e os demais materiais recolhidos pelo Gaeco, inclusive eventuais mensagens trocadas pelo WhatsApp, para que essas provas sejam analisadas pela Comissão Processante”, afirma Mariana.
De acordo com o texto da petição, a solicitação é fundamentada na Súmula 591 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que descreve: “É permitida a ‘prova emprestada’ no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa”.
A parlamentar reforça que toda a população espera que o Legislativo ofereça uma resposta institucional ao caso. “Respeitamos o direito ao contraditório e à ampla defesa que deve ser garantido ao Vini, mas isso não deve adiar as ações de averiguação, com a urgência cabível diante dos fortes indícios de corrupção que estão sendo expostos e que interessam diretamente ao povo de Campinas”, finaliza.