Vini Oliveira é condenado por danos morais contra Mariana Conti após campanha de desinformação sobre missão humanitária

Vereador afirmou, em suas redes sociais, que havia entorpecentes nas embarcações; Justiça exige pagamento de indenização e retratação pública Na manhã desta quinta-feira (23), a Justiça condenou o vereador Vini Oliveira (Cidadania) por danos morais contra a também vereadora Mariana Conti (PSOL), que participou de uma missão humanitária que pretendia levar ajuda a Gaza em […]

24 abr 2026, 12:45 Tempo de leitura: 2 minutos, 40 segundos
Vini Oliveira é condenado por danos morais contra Mariana Conti após campanha de desinformação sobre missão humanitária

Vereador afirmou, em suas redes sociais, que havia entorpecentes nas embarcações; Justiça exige pagamento de indenização e retratação pública

Na manhã desta quinta-feira (23), a Justiça condenou o vereador Vini Oliveira (Cidadania) por danos morais contra a também vereadora Mariana Conti (PSOL), que participou de uma missão humanitária que pretendia levar ajuda a Gaza em 2025. Naquela ocasião, o parlamentar publicou um conteúdo que induzia o leitor à falsa conclusão de que Mariana portava entorpecentes durante a viagem.

Em agosto de 2025, a vereadora se licenciou da Câmara Municipal de Campinas por aproximadamente dois meses para que pudesse compor a delegação brasileira da Global Sumud Flotilla. A ação reúne embarcações com ativistas de todo o mundo na tentativa de quebrar o cerco de Israel sobre o território palestino e entregar alimentos, medicamentos e outros itens essenciais.

“Foram ditas muitas mentiras durante a Flotilha para tentar desmoralizar essa ação que dá tanta esperança ao povo palestino. Uma delas foi que eu estaria usando dinheiro público para ir à missão, o que pode ser facilmente refutado ao verificar toda a documentação do meu afastamento da Câmara. Toda a viagem foi custeada com meu próprio dinheiro. Não recebi um centavo do recurso público enquanto estive fora”, afirma Mariana.

“A mentira espalhada pelo Vini foi ainda mais grave, porque ele afirmou que drogas teriam sido encontradas nos barcos e, da forma como publicou, fez parecer que estaria cometendo tráfico internacional. Nós passamos por inspeções rigorosas ao entrar e sair de vários lugares da Europa, como em Barcelona. Afirmar que havia drogas nos barcos é, além de um sério ataque à Flotilha, uma descredibilização das políticas de fiscalização desses países”, continua.

A ação cível movida pela vereadora foi motivada por um vídeo veiculado nas redes sociais de Vini Oliveira, acompanhado do texto “DROGAS SÃO ENCONTRADAS EM FLOTILHA COM A VEREADORA MARIANA CONTI, QUE TENTAVA CHEGAR A GAZA”, publicado no dia 06 de outubro de 2025. Segundo a sentença proferida, a postagem teve o intuito de atentar contra a honra da parlamentar e, com isso, gerar engajamento, extrapolando os limites da liberdade de expressão.

Com isso, o vereador foi condenado a pagar indenização de R$ 10.000,00 por danos morais, a remover definitivamente o conteúdo divulgado e a publicar, no mesmo perfil, nota de retratação que evidencie a falsidade da informação sobre a apreensão de drogas, no prazo de 48 horas, sob pena de conversão em perdas e danos. O parlamentar ainda pode recorrer da sentença em segunda instância.

“É uma enorme vitória essa condenação. A extrema direita usa a mentira como método, ganha likes e votos por meio das fake news, e isso às vezes faz com que as pessoas tenham visões deturpadas sobre ações como a Flotilha. Seguirei na luta em defesa do povo palestino e contra esses mentirosos, mesmo se necessário ir à Justiça. A internet não é terra sem lei, e é preciso que as pessoas sejam responsabilizadas por aquilo que postam”, finaliza Mariana.