2ª Reunião da Comissão Permanente da Mulher debateu a misoginia e o movimento red pill
Na última terça-feira (24), a Comissão Permanente da Mulher da Câmara Municipal promoveu sua 2ª Reunião Ordinária do ano. Sob a condução da vereadora Mariana Conti (PSOL), presidente do colegiado, o encontro pautou a misoginia e o discurso red pill e reuniu membros da sociedade civil, conselheiros tutelares e representantes dos movimentos sociais e do […]
25 mar 2026, 11:29 Tempo de leitura: 2 minutos, 43 segundos
Na última terça-feira (24), a Comissão Permanente da Mulher da Câmara Municipal promoveu sua 2ª Reunião Ordinária do ano. Sob a condução da vereadora Mariana Conti (PSOL), presidente do colegiado, o encontro pautou a misoginia e o discurso red pill e reuniu membros da sociedade civil, conselheiros tutelares e representantes dos movimentos sociais e do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Intitulada “Mulheres e meninas vivas: Campinas contra a misoginia!”, a reunião abordou como a misoginia está inserida nos espaços sociais e como o movimento red pill tem disseminado ideias misóginas na internet. Com a participação da professora doutora Iara Beleli, pesquisadora do Núcleo de Estudos de Gênero – Pagu/UNICAMP, os sentidos históricos da misoginia foram aprofundados.
Na ocasião, a vereadora ainda abordou a denúncia de violência política de gênero feita pela vereadora Guida Calixto (PT) após intimidações contra ela e suas assessoras de gabinete nas dependências da Câmara Municipal. Mariana destacou a necessidade de que a presidência da Câmara Municipal de Campinas intervenha de forma contundente para impedir a ocorrência de novos episódios.
Os discursos de todos os presentes reforçaram a gravidade da epidemia de violência contra a mulher que tem tomado os noticiários e a urgência do fortalecimento de políticas públicas transversais e permanentes para a proteção das mulheres. “A ascensão do conservadorismo nos últimos anos representou um verdadeiro retrocesso em relação a tudo o que o movimento feminista havia conquistado até então, e o trabalho precisa ser refeito”, afirmou Iara.
No que se refere às políticas públicas, Mariana apresentou dois projetos protocolados em conjunto na terça-feira, formando o “Pacote Mulheres e Meninas Vivas: Campinas Contra a Misoginia!”. Um dos projetos prevê a criação do “Programa municipal de conscientização sobre a machosfera e o discurso red pill e de prevenção da violência contra a mulher”, enquanto o outro pretende criar infrações administrativas relativas à prática de atos de misoginia no atendimento ao público e na prestação de serviço público.
“O programa de conscientização deve levar a equipamentos públicos materiais informativos, promover discussões e formações continuadas de profissionais. Nas escolas, esse projeto vai contribuir para uma perspectiva de gênero mais igualitária, pensando em reverter essa lógica da opressão que tem predominado nas redes sociais. Já o projeto que cria infrações deve ajudar a expandir a responsabilidade no combate à misoginia, pensando que qualquer espaço pode contribuir para a perpetuação ou a inibição dessa violência”, explicou a vereadora.
Na reunião, não houve nenhuma deliberação formal, mas um tom de agitação para a continuidade da discussão: “Convido todas e todos que estão presentes a continuarem essa conversa para além daqui. Vamos seguir debatendo os projetos desse Pacote com outras pessoas e em outros lugares, além de pressionar pela sua aprovação”, finalizou Mariana. A próxima reunião da Comissão da Mulher está prevista para ocorrer no dia 23 de abril, às 19 horas, no Plenarinho da Câmara.