1ª Conferência Antifascista é encerrada com a aprovação de carta unificada contra o fascismo

No último fim de semana, entre os dias 26 e 29 de março, milhares de pessoas se reuniram em Porto Alegre para a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. A programação contemplou mesas de discussão sobre diversas temáticas, sempre relacionadas às condições e aos efeitos do fascismo, que foram sediadas principalmente na Universidade […]

1 abr 2026, 13:32 Tempo de leitura: 3 minutos, 18 segundos
1ª Conferência Antifascista é encerrada com a aprovação de carta unificada contra o fascismo

No último fim de semana, entre os dias 26 e 29 de março, milhares de pessoas se reuniram em Porto Alegre para a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. A programação contemplou mesas de discussão sobre diversas temáticas, sempre relacionadas às condições e aos efeitos do fascismo, que foram sediadas principalmente na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Uma caravana do interior paulista, que saiu de Campinas no dia 25, também integrou o evento, sob a liderança da vereadora Mariana Conti (PSOL). Ao desembarcar na cidade gaúcha, já no dia seguinte, o grupo se encaminhou para uma marcha no centro histórico, marcando o início oficial da Conferência. No decorrer da programação, as guerras, a política de ódio adotada pelos governos de extrema direita e a soberania dos povos tiveram centralidade.

Mariana participou como palestrante e debatedora em duas mesas realizadas no sábado: “O BDS como ferramenta essencial de solidariedade internacionalista com a Palestina”, em que se lançou a Rede Parlamentar Latino-americana por Sanções, e “A resistência palestina ao genocídio e à opressão do Estado de Israel”. Em 2025, a parlamentar compôs a delegação brasileira na Global Sumud Flotilla, missão que pretendia levar ajuda humanitária ao povo palestino.

“Nós também estamos sujeitos à crise política, à crise da geopolítica mundial, a essa guerra insana que se abate sobre o mundo. Estamos muito próximos de uma depressão econômica que tem causado crise energética, desemprego, sequestro dos nossos recursos naturais, e isso recairá sobre todos”, comenta a vereadora a respeito da importância política e social do evento.

O encontro reuniu delegados de mais de 40 países, incluindo líderes da esquerda brasileira. Destacam-se os representantes do Democratic Socialists of America (DSA) — agrupamento socialista dos Estados Unidos que impulsiona movimentos contra o ICE —, de organizações pró-Palestina, como a Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL), e da resistência argentina contra as políticas de Javier Milei, que pioram a vida do povo trabalhador.

A Conferência se estabeleceu como um contraponto à Conservative Political Action Conference (CPAC), um encontro conservador anual que ocorria concomitantemente nos EUA. Em sua primeira edição, já demonstrou potência como um espaço de intercâmbio de experiências entre os países. A realização de dezenas de painéis e mesas redondas autogestionadas pelas organizações integrantes indicam a possibilidade de abranger ainda mais as trocas nas próximas edições.

Um dos pontos-chave nos debates foi a caracterização da relação interdependente entre a exploração capitalista e o fascismo, ressaltando o lucro de poucos por trás das guerras que destroem povos inteiros. “Nós estamos tratando de uma oligarquia burguesa, que pouco se importa com o povo trabalhador do mundo e que tem utilizado dos governos de extrema direita para nos fragmentar, para impor medidas extremamente excludentes e concentradoras”, afirma Mariana.

No encerramento das atividades, foi lida a “Carta de Porto Alegre”, documento assinado por todas as organizações componentes da Conferência, que sintetiza as principais discussões e os encaminhamentos para uma rede global permanente de combate ao fascismo e de solidariedade entre os povos. Entre as proposições, estão listadas a urgência em fortalecer a Flotilha e outras ações práticas e em apoiar a reeleição do presidente Lula, além da construção de novas conferências ao redor do mundo, incluindo uma na América Latina e outra na África.

“Vamos seguir na troca de experiência entre os povos para derrotar a extrema direita e garantir os direitos da população. É a luta do nosso tempo, é o grande desafio da nossa geração impedir que esse setor fascista volte ao poder”, finaliza a vereadora campineira. A carta pode ser lida na íntegra pelo seguinte link: https://movimentorevista.com.br/2026/03/carta-de-porto-alegre-marca-encerramento-da-conferencia-antifascista/.