Lá fora faz sol, mas aqui dentro o peito chora. Morreu a preta da Maré, morreu Marielle Franco. Todas nós morremos um pouco, junto com ela, porque Marielle encarnava essas muitas formas de estar no mundo erguendo a voz contra a injustiça e a violência.

Marielle era uma mulher negra, feminista, lésbica, mãe, filha da favela Maré, ativista, defensora dos direitos humanos, a quinta vereadora mais votada do Rio de Janeiro, uma das fundadoras da Bancada Feminista do PSOL. Marielle se levantava todos os dias para denunciar a política de extermínio que mata com perversidade. Ela, como nós, fazia isso por um projeto de sociedade radicalmente diferente.

Morreram a preta da Maré e o motorista que a acompanhava, Anderson Gomes, mas a tentativa de calar as suas vozes só fez amplificar tantas outras. Somos centenas, milhares, milhões. Estamos nas ruas, nas favelas, nos centros, nos campos e nas instituições. Estamos amparadas umas nas outras para garantir que esse projeto de sociedade avance, uma sociedade que assegure os direitos das mulheres, de negras e negros, da população LGBT, dos povos indígenas, das pessoas presas, das periferias, da classe trabalhadora. Estamos e seguiremos juntas com nossos corpos, nossas cores, nossas lutas, nossos desejos.

Lutaremos incansavelmente pela apuração desse crime brutal que matou nossa companheira e amiga.

A dor e a tristeza não são maiores que a nossa capacidade de seguir resistindo e de honrar o nome da Marielle e de todas as lutas que ela simboliza. Eu sou porque nós somos!

Marielle, PRESENTE! Agora e sempre!
Anderson, PRESENTE! Agora e sempre!

Assinam esta nota as vereadoras que compõem a Bancada Feminista do PSOL:

Áurea Carolina (Belo Horizonte-MG)
Cida Falabella (Belo Horizonte-MG)
Fernanda Garcia (Sorocaba-SP)
Fernanda Melchionna (Porto Alegre-RS)
Fernanda Miranda (Pelotas-RS)
Mariana Conti (Campinas-SP)
Marinor Britto (Belém-PA)
Rose de Paula (Tanabi-SP)
Sâmia Bonfim (São Paulo-SP)
Talíria Petrone (Niterói-RJ)