Nota da comunidade escolar em repúdio ao homicídio do jovem Jordy Moura Silva, estudante da EMEF/EJA OZIEL ALVES PEREIRA:

Na manhã do dia 05 de abril de 2020, o aluno da EMEF/EJA Oziel Alves Pereira, Jordy Moura Silva, de 15 anos, que se encontrava com o irmão e com amigos no bairro Reforma Agrária da cidade de Campinas, foi assassinado a tiros por um agente da Guarda Civil Municipal (GCM), o qual atuava na região. Vídeos e depoimentos colhidos no momento do homicídio demonstram que o jovem Jordy não recebeu o socorro imediato e necessário pela GCM e que as pessoas que assistiam e protestavam contra o ocorrido foram tratadas com brutalidade verbal pelos guardas municipais que atuaram naquele momento. O jovem chegou a ser chamado de “vagabundo” por um dos guardas filmados.

Considerando o episódio, nós, da comunidade da EMEF/EJA Oziel Alves Pereira, vimos a público manifestar nosso apoio e nossa solidariedade à família e aos amigos de Jordy Moura Silva. Compartilhamos da dor, não só pelo fato de perdermos um aluno, já que Jordy era estudante de nossa escola desde o ano de 2018, mas por entender o valor da vida, vida essa que foi tirada de maneira injusta e brutal por um agente do Estado.

Por essa razão, repudiamos veementemente o uso da violência em quaisquer situações, e, nesse caso específico, torna-se absoluto o nosso repúdio não apenas à violência, mas à sua consequência: o assassinato de nosso aluno. Exigimos que as autoridades competentes prestem, de imediato, suporte e informações tanto à família quanto à comunidade afetadas.

Salientamos, ainda, que o ocorrido não se trata de um fato isolado. A partir de depoimentos diários de nossos alunos e funcionários, moradores da região, é perceptível que o uso de abordagens indiscriminadas e desproporcionais aos adolescentes e jovens dos bairros Oziel, Monte Cristo, Gleba B, Reforma Agrária e arredores acontece frequentemente, e vai de encontro às leis de proteção à criança e ao adolescente estabelecidas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). É inadmissível que haja continuidade no genocídio da população jovem, especialmente a população negra das periferias, já que adolescentes e jovens permanecem tendo seus direitos ameaçados cotidianamente, por isso, exigimos que casos de violência e abuso de autoridade como esse, cometidos por corporações de segurança pública, sejam investigados sempre que denunciados.

Campinas, 06 de abril de 2020.

Comunidade escolar da EMEF/EJA Oziel Alves Pereira