Poema escrito pelo professor Filipe Mulato, que atua na rede pública estadual de Campinas, em homenagem à companheira do PSOL – mulher, negra, lésbica, da Maré, lutadora, militante dos direitos humanos, recém eleita vereadora na cidade do Rio de Janeiro, executada covardemente – Marielle Franco.

Manhã carioca
A Marielle (in memoriam)

Olho para o claro da manhã, fardo tropical,
Amarela, envelhecida, fosca e inóspita, como um desfile marcial.
Vejo todas as manhãs o sarrafo da violência lançado
Sempre à margem do rio principal.
Rio meandrante, rio negro, rio sujo,
É evidente como vive e morre a vítima usual.
Mulher, negra, favelada e combativa,
Onde Mariele caminhava era um campo de batalha infernal
E ela explodiu uma mina que aguardava os seus pés,
Mariele andava por rotas proibidas e não esperava o aval.
Um rio que se perdeu apesar do mar, tão próximo,
Da beleza tão rara…
Mariele não queria que o rio se enxergasse
Como reflexo da sua entranhada podridão,
Ou se flagelasse como se a população inocente
Fosse Cristo crucificado ao lado do ladrão.

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