Por Mariana Conti

Só é possível identificar o aumento do desmatamento graças aos dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um governo que olhasse minimamente para a importância da preservação dos biomas e da biodiversidade do país usaria esses dados para tomar medidas sólidas de combate às queimadas e ao desmatamento. Porém, vivemos sob um governo de desmatadores e irresponsáveis. Cito aqui trecho da reportagem da exame:

“O ‘dia do fogo’ foi revelado pelo jornal ‘Folha do Progresso’ que, ao conversar com fazendeiros da região, teria ouvido que eles precisavam ‘mostrar ao presidente (Jair Bolsonaro) que querem trabalhar e o único jeito é derrubando”.

Bolsonaro, aliado incondicional do que há de mais retrógrado no ruralismo, quer ver toda a vegetação nativa em chamas, para que com isso seus amigos do churrasco ganhem ainda mais dinheiro. Para o presidente preservar as florestas, o cerrado ou o pantanal “só interessa aos veganos”. Essa postura completamente absurda traz consequências gravíssimas: há regiões que já registram um aumento dos focos de incêndio de até 743%.

Não é a toa que Bolsonaro interviu no INPE, provocando a demissão de seu presidente Ricardo Galvão. Cientista reconhecido internacionalmente, Galvão tornou-se um entrave para a política antinacional da milícia bolsonarista. Uma vez que não há nenhum interesse em combater o desmatamento, o presidente tomou o monitoramento da devastação como inimigo a eliminar. Ontem (19/8) tivemos um alerta, várias cidades do país ficaram sob as nuvens negras das queimadas; a pergunta que precisamos responder agora é: quantos outros alertas aguentaremos antes que se consolide uma tragédia ambiental irreversível?

link para a matéria da revista Exame citada no texto: https://exame.abril.com.br/brasil/brasil-tem-maior-numero-de-queimadas-em-7-anos/