Por Mariana Conti

Diminuir a velocidade de propagação do novo Coronavírus é fundamental para diminuir o número de mortes, não apenas de pessoas que podem morrer pela própria doença, mas também de pessoas com qualquer outro problema, que não conseguirão ser atendidas no sistema de saúde se todos os leitos estiverem ocupados, com o aumento da demanda frente à Pandemia.


A comparação dos casos da Itália e da Coreia do Sul é muito ilustrativa do que devemos fazer. Quando ambos os países estavam com o mesmo número de pessoas infectadas, cerca de 7500 casos, a Itália (que demorou para adotar medidas de identificação e contenção) já contava com cerca de 400 mortes e a Coreia do Sul (que se antecipou nas medidas de identificação e isolamento dos doentes, entre outras medidas) contava com apenas 50 mortes, uma diferença bem significativa.


Nós ainda estamos no estágio inicial do contágio e devemos garantir uma curva menos acentuada de velocidade de propagação do vírus, para evitar um colapso no sistema de saúde e garantir o atendimento hospitalar para as pessoas que dele necessitarem.


Vale ressaltar que o protocolo adotado pelo Governo Dória no Estado de São Paulo contradiz as diretrizes da OMS (Organização Mundial de Saúde). A OMS coloca a importância de se testar todos os casos suspeitos de contaminação para o controle da disseminação do vírus e a identificação e isolamento dos doentes, mesmo com sintomas leves. Aqui, a política adotada tem sido a de realizar os testes apenas nos casos mais graves e com ligação direta com alguma região de contágio, diretriz problemática tendo em vista que já temos a transmissão comunitária (sem possibilidade de identificar a origem do vírus), e pouco eficaz para isolar pessoas contaminadas com sintomas leves, que também são vetores de propagação do vírus.


O SUS é a nossa principal arma contra está pandemia, mas ele tem passado por anos e anos de desestruturação e precarização, distribuir o número de doentes ao longo do tempo será importante para nosso sistema de saúde não colapsar.


Em média 20% dos casos necessitam de internação hospitalar e 5% necessitam de internação em UTI. Campinas já vive a alguns anos um verdadeiro caos na saúde pública, a falta de leitos e a sobrecarga de trabalho para os profissionais já é uma realidade recorrente. Diante do eminente crescimento do contágio de Coronavírus na nossa região é necessário que a prefeitura apresente um plano de emergência consistente no que se refere ao nosso sistema de saúde.

Assista também ao vídeo bastante didático de Átila Iamarino sobre o tema: