Abaixo, através da poesia de Anielli Carraro, uma realidade que nomeia nosso luto e nossa luta: o genocídio da população negra. Por nenhuma mulher negra a menos!

Evento do ato em Campinas:
https://www.facebook.com/events/280212492516705/
Concentração na Unicamp:
https://www.facebook.com/events/1779614542085235/

Morreu.
Morreu a preta da maré,
a negra fugida da senzala
que foi sentar com “os dotô” na sala
e falar de igual pra igual com “os homi”.
A negra que burlou a fome de se saber,
que fez crescer dentro dela, o conhecimento.
Aquela, que por um momento de humanidade,
sonhou com a justiça, lutou por liberdade
e ousou ir mais alto,
do que permitia sua cor.
“Mas preta sabida, não pode!
Muito menos pobre! Não tem valor.”
Diziam as más línguas na multidão.
E ela ousou tirar seus pés do chão.
Morreu.
Morreu a “preta sem noção”,
que falava a verdade na cara do patrão,
que carregava a coragem, como bagagem,
no coração.
O tiro foi certo,
acertou com maldade,
ecoando seco no centro da cidade.

Anielli – Poeta de Volta Redonda.