Por Mariana Conti

Perseguir professores que discutem a violência de gênero nas escolas é ser conivente com a violência que mulheres e crianças sofrem todos os dias. As estatísticas são assustadoras e evidenciam que os autores de violência são em sua maioria pessoas próximas, parentes, amigos, muitas vezes o próprio pai. Quando a violência acontece dentro de casa, no âmbito da família, muitos tabus se colocam: o silêncio é a regra e uma barreira que protege o autor da violência e contribui para a sua perpetuação.

O envolvimento da escola e dos profissionais da educação é fundamental, uma vez que para muitas crianças o único espaço de socialização extra-familiar é a própria escola. No caso dos adolescentes e jovens, talvez a escola seja um único espaço seguro ao qual eles podem acessar. Os educadores relatam que os sinais da violência são manifestados no comportamento, na fala, nos desenhos, na forma de lidar com as outras crianças. Nessa situação, a escola tem um compromisso ético e legal com o combate à violência e não pode fechar os olhos para essa realidade.

Infelizmente a postura de muitos governos têm sido não apenas se ausentar no sentido de estabelecer o enfrentamento à violência como diretriz institucional das redes de educação, mas perseguir professores que ousam fazê-lo. Esse é o caso da perseguição a qual a professora Virgínia Baldan tem sido submetida pelo governo Jaime de Vinhedo. Virgínia é professora há 20 anos da rede municipal, faz parte do coletivo feminista da cidade. Conheci a Virgínia nas atividades de luta feminista e sei muito bem do seu compromisso. A professora virgínia tem sofrido um processo de perseguição exatamente porque se colocou, como educadora, a responsabilidade que deveria ser da própria prefeitura: combater o machismo e a violência de gênero. Ao impor o silêncio, governo Jaime é conivente com a violência.