Não suportamos mais a agonia em que se encontra a Saúde Pública de Campinas. A população é prejudicada diariamente pela desassistência nesse setor tão essencial. A falta de remédios, de insumos hospitalares, a demora nos agendamentos de consultas especializadas, a falta de médicos, o fechamento da Botica da Família e a precariedade no serviço prestado pelo Hospital Ouro Verde, em função das condições trabalhistas e da investigação em relação ao contrato com a OS Vitale, suspeita de participar de um esquema que desviou mais de R$ 4,5 milhões, além de tantas promessas de campanha do governo Jonas que, estão apenas no papel. Tudo isso acontecendo e para esse ano, um orçamento de R$ 1,35 bilhão.  

No dia 26 de março, deste ano, protocolamos um requerimento que cobra a urgência nos atendimentos de consultas com especialistas. Pois há casos graves, que após os exames, a consulta de retorno foi marcada para 1(um) ano depois. Em fevereiro havia 57.318 pacientes na lista de espera. Há exemplos da falta desses profissionais – ginecologistas e pediatras – como na UBS do Jardim Aeroporto, que solicitamos informações em agosto de 2017. De acordo com o sistema DATASUS, há 132 pediatras e 56 ginecologistas para as 63 Unidades Básicas de Saúde. E, segundo os dados da Transparência do Município, na parte de remunerações dos servidores, há 90 ginecologistas lotados nas UBS, contudo, apenas 50 UBS são contempladas, algumas com até 5 profissionais e 13 delas sem nenhum. Ano passado, denunciamos o caos da Unidade Básica de Barão Geraldo, que, depois de nossa fiscalização, recebeu a manutenção apropriada.

Há faltas de macas e superlotações nos Hospitais Ouro Verde e Mario Gatti (CBN, 19.abr.18).

O caos na saúde não para por aqui. Solicitamos em abril deste ano, a lista de medicamentos em falta no Hospital Mario Gatti, assim como também a lista de medicamentos faltantes no SUS. Recebemos com indignação a notícia do fechamento da Botica da Família – Farmácia Municipal de Manipulação de Medicamentos Fitoterápicos de Campinas – um importante instrumento a serviço da população e que é, atualmente, responsável pela produção de mais de 7000 unidades de medicamentos fitoterápicos por semana e em média 31.500 unidades por mês. Não admitimos seu fechamento, sem que a população de Campinas possa ser ouvida e consultada e sem que haja um novo local para a Botica.

Para completar o caos na saúde do município, o caso do Complexo Hospitalar Prefeito Edivaldo Orsi ( Ouro Verde), administrado de dezembro de 2016 a novembro de 2017, pela OS Vitale. Essa terceirização é alvo de investigação pelo Ministério Público,  por suposto desvio de mais de R$ 4,5 milhões dos recursos públicos. O contrato estimado entre a prefeitura e a organização social, é de R$ 682,4 milhões, por um período de 5 anos. O MP investiga a relação entre agentes públicos e o grupo que controla a OS, em superfaturamentos de insumos e medicamentos e consultorias não realizadas, assim como pagamento de propinas mensais para validação de forma fraudulenta de notas fiscais com superfaturamentos. Alguns dos supostos envolvidos são servidores públicos, entre eles, Anésio Corat Júnior, ex-diretor da Secretaria de Saúde, em cuja casa foi encontrado R$ 1,2 milhões e do ex-assessor Ramon Luciano da Silva. Nessa farra do dinheiro público, carros de luxo foram apreendidos na casa de um dos suspeitos de operar o esquema, que é ligado à OS. Além de mais de 10 indiciados, são investigados o prefeito Jonas Donizette, pela Procuradoria Geral do Estado e o vereador e líder do governo, Marcos Bernadelli.

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o GAECO, quer o ressarcimento da verba pública desviada na gestão da OS Vitale, no Hospital Ouro Verde.

Por esses motivos queremos a CPI da Saúde já. Para se investigar os contratos entre a prefeitura e a organização social, com transparência e rigor, para que todos os envolvidos sejam punidos e a população não sofra mais com tanto desgoverno.